segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Causos de Seu Lunga


Joaquim Rodrigues dos Santos (Caririaçu, 18 de agosto de 1927), mais conhecido como Seu Lunga, é um comerciante que se tornou conhecido no Brasil por seu temperamento forte.

Teve sete irmãos e viveu sua infância “no meio dos matos”, afastado da cidade. O apelido lhe acompanha desde esta época, quando uma vizinha de sua família, que ele só identifica como preta velha, começou a lhe chamar de Calunga, que virou Lunga e pegou. Começou a trabalhar na roça aos oito anos de idade, e admira a criação rígida que teve de seu pai, o que marca um aspecto psicossocial do homem Lunga.

Aos 16 anos mudou-se para Juazeiro do Norte, passando a ser ourives por dois anos. Depois começou a comercializar no Mercado Público da cidade e a trabalhar no comércio com sua loja de sucata.

Casado em 1951, teve treze filhos, que, apesar da pouca instrução, conseguiu manter-lhes pelo menos com a educação básica. A pouca instrução de “Lunga”, por outro lado, não o impediu de candidatar-se a vereador da cidade de Juazeiro em 1988, eleição que não ganhou.

Alguns de seus “causos” (não sei quais são apócrifos ou não):

Seu Lunga estava na sua casa com sede. E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto pergunta:
– No copo, Seu Lunga?
E seu Lunga responde:
– Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo!

O funcionário do banco veio avisar:
– Seu Lunga, a promissória venceu.
– Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória.

Seu Lunga entrando em uma agropecuária.
-Tem veneno pra rato?
-Tem! Vai levar? – Pergunta o balconista.
-Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!! – responde seu Lunga.

Seu Lunga, no elevador (no subsolo-garagem). Alguém pergunta:
– Sobe?
Seu Lunga:
– Não, esse elevador anda de lado.

Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:
– Tá doente, Seu Lunga?
– Quer dizer que seu fosse saindo do cemitério, eu tava morto?

Seu Lunga dava uma bela surra no filho e o menino gritava:
– Tá bom, pai! Tá bom, pai! Tá bom, pai!
– Tá bom? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.

O amigo de seu Lunga o cumprimenta:
– Olá, seu Lunga! Tá sumido! Por onde tem andado?
– Pelo chão, não aprendi a voar ainda…

Na década de 70, Seu Lunga chega num bar e fala pro atendente:
– Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!
– Desculpe seu Lunga, não posso botar música hoje…
– Mas por que?
– Meu avô morreu!
– E ele levou os discos, foi?

Durante a madrugada, a mulher do seu Lunga passa mal:
– Lunga! Ta me dando uma coisa…
– Receba!
– Mas é uma coisa ruim!
– Então devolva!

O telefone toca. Seu Lunga:
– Alô!
– Bom dia! Mas quem está falando?
– Você!

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